Dermatologista - Clínica Denise Steiner - Dermatologia Dermatologista - Clínica Denise Steiner - Dermatologia
Dermatologista - Clínica Denise Steiner - Dermatologia
Dermatologista - Clínica Denise Steiner - Dermatologia

:: Publicações

Pele Negra

O negro tem uma participação expressiva no conjunto da população brasileira e segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizada em 1998, dos 161 milhões de brasileiros, cerca de 9 milhões se identificam como negros, e 62 milhões, como pardos. A população afro-brasileira (somando negros e pardos) representa a maior população mundial de seres humanos desta raça, a frente de países como Zaire, África do Sul e Estados Unidos, segundo informações da Fundação Cultural Palmares. Mesmo considerando apenas a população de 9 milhões que se identifica como negra, diz a fundação, já estamos entre os países com maior número de habitantes desta cor no mundo. 

Vale ressaltar que o instituto considera como pessoas de pele parda mulatos (branco com negro), cafuzos (negro com índio), mestiços (raças diferentes), caboclos e mamelucos (branco com índio). O Instituto não tem dados detalhados sobre a divisão da população que se identificou como pessoa de cor parda. 

Um outro estudo do mesmo ano feito pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) revela que a população negra abrange 14 milhões de pessoas em seis grandes regiões metropolitanas do país, o que corresponde a 43,7% do total da área estudada. 

O Dieese revela ainda que a maior concentração de negros encontra-se na região metropolitana de Salvador (81,1%), seguida de Recife (64%), do Distrito Federal (63,7%), de Belo Horizonte (51,8%), de São Paulo (33%). A menor encontra-se na região de Porto Alegre (11,8%). 

A força de trabalho da população negra (PEA, População Economicamente Ativa) nas seis regiões pesquisadas é de 6,6 milhões de trabalhadores, ou seja, 41,7% da PEA total destas regiões. Os maiores contingentes estão em São Paulo (2,8 milhões) e Salvador (1,1 milhão). 

Todos conhecemos bem as vantagens da pele negra em relação a pele mais clara, como a maior resistência aos danos solares e menor grau de fotoenvelhecimento. Mas as desvantagens também existem e devem ser conhecidas. A pele negra tem particularidades que pedem cuidados específicos e diferenciados.

Sistema melanocitário

O sistema melanocitário responsável pela pigmentação, compreende os melanócitos e os queratinócitos circundantes, formando a unidade epidérmica melânica. Na pele branca os melanossomas são pequenos (400nm) e reunidos por grupos no interior dos queratinócitos, sendo degradados nas camadas superficiais da epiderme. Na pele negra os mesmos estão dispersos individualmente no citoplasma dos queratinócitos e apresentam tamanho maior (800nm), não sendo degradados e chegando intactos á camada córnea. Este fato talvez explique a maior proteção solar no caso da pele negra. Porém, no caso de traumatismos, como cirurgias, a resposta exagerada dos melanócitos causa freqüente hiperpigmentação pós - inflamatória inestética na pele negra.

Evidentemente variações raciais existem e, possivelmente, entre os indivíduos da mesma espécie, não sobre o número de melanócitos, mas sobre a velocidade de produção da melanina. A resistência relativa da pele negra á radiação ultravioleta deve-se, obviamente, mais á capacidade funcional do que ao número de melanócitos/mm (pele da face do europeu do norte é muito mais sensível do que a coxa de pessoa negra, colocados na mesma radiação - o número de melanócitos é efetivamente superior na face ). Geralmente a hiperpigmentação da pele é resultado de aumento na velocidade de formação do melanócito e não ao aumento no número de melanócitos. Estes possuem forma dendríticas, como as células nervosas, caracterizando a recente formação de melanina e adquirem a forma arredondada em casos de hiperpigmentação dando a impressão de que estão inseridos como raízes na epiderme.

Em estudos realizados sobre a transmissão da luz através do estrato córneo, e da epiderme de pele negra e branca, verificou-se que a epiderme branca é mais transparente não somente em relação á luz visível, como também aos raios ultravioleta. A 300 nm (UVB) a transmissão é estimada em torno de 10-15% através da pele negra.

Kaidbey e col, a fim de determinar a contribuição da camada córnea e da epiderme viva na fotoproteção natural de brancos e negros, recorreram á metodologia de determinação do fator de proteção solar de filtros solares. Os valores do fator de proteção encontrados foram 13,4 e 3,4 para a epiderme negra e branca respectivamente, o que significa que a negra é quatro vezes mais protetora do que a branca. A diferença é menos acentuada em relação ao estrato córneo: para a camada córnea negra o fator de proteção solar é 3,3 contra 2,1 da branca, o que significa que esta é ligeiramente menos protetora que a pele do negro. No caso de indivíduos negros portanto, a filtração dos raios UVB ocorre principalmente nas camadas mais profundas da epiderme, e nos brancos isto ocorre principalmente no estrato córneo. Para a região UVA ocorre principalmente nas camadas mais profundas da epiderme, e nos brancos isto ocorre principalmente no estrato córneo. Para a região UVB (320-400 nm), observa-se o mesmo resultado: a pele negra é três vezes mais protetora do que a branca. A pele negra é mais fotoprotetora do que a pele branca em todos os comprimentos de onda. No indivíduo negro, a melanina é mais fotoprotetora na camada malpighiana do que na camada córnea, para as radiações UVA e UVB. Quando, no negro, a melanina atinge o estrato córneo, esta perde em grande parte a sua capacidade protetora e a razão disto ainda é desconhecida. A absorção e a difusão dos raios pela melanina depende da densidade e da distribuição dos melanossomas no interior dos queratinócitos. 

Os melanossomos grandes e dispersos presentes na pele de indivíduos negros, absorvem mais energia do que no indivíduo branco, isto explica a excelente fotoproteção da epiderme negra. Algumas experiências demonstram a importância da distribuição dos melanócitos: no caso dos indivíduos brancos, a exposição freqüente á radiação UVA provoca pequeno aumento na proteção solar - a dose eritematogênica mínima (DEM) é aumentada por fator de 2 ou 3. Isto não provoca aumento significativo na espessura do estrato córneo e nem modifica a distribuição dos melanossomas. Segundo os autores, a DEM do negro é 10 a 30 vezes maior do que a do branco. Como a vermelhidão é difícil de observar no caso de peles negras, o único índice considerável é a descamação, que ocorre após alguns dias de exposição.

Por isso a pele negra apresenta menor incidência de câncer e menor grau de envelhecimento. Segundo Rook, os brancos têm 15 vezes mais chances de apresentar câncer de pele; e outros estudos confirmam estes dados. Este pode ser um dos motivos da menor incidência de câncer de pele.

Anexos epidérmicos

Glândulas sudoríparas - Sabe-se que a pele negra possui um número maior de glândulas sudoríparas ativas por unidade de área. No entanto, anatomicamente o número de glândulas écrinas é idêntico tanto na pele branca como na negra, qualquer que seja a região do corpo.

Glândulas sudoríparas apócrinas - Da mesma forma que as anteriores, estas estão presentes também em maior número nos indivíduos de pele negra. O odor corporal estará na dependência de bactérias e não existem ainda explicações sobre os diferentes tipos de odores.

Glândulas sebáceas - Existem poucas informações cientificas a respeito da secreção sebácea da pele negra. Alguns pesquisadores encontraram grandes quantidades de lipídeos extraídos do couro cabeludo ou de cabelos de pessoas negras ( cerca de 60 a 70% a mais do que em indivíduos brancos ): estes lipídeos provém em grande parte da secreção sebácea. Em relação á composição da secreção sebácea, não existe diferença significativa entre indivíduos de cor branca e negra.

Funções da Camada Córnea

Termorregulação - Apesar de existir número de glândulas sudoríparas em quantidade aproximadamente igual nos indivíduos negros e brancos, atribui-se á pele negra maior resistência ao calor. Alguns pesquisadores afirmam que o negro suporta mais o calor úmido. A quantidade de suor produzido a dada temperatura está mais associada á climatização do que os fatores anatômicos fisiológicos de origem racial. É natural pensar que a pele negra, como todo revestimento escuro, absorve mais calor, o que pode ser desconfortável em algumas situações. Portanto, a relação entre pigmentação cutânea e sudoração intensa, com a capacidade de absorção de calor pela pele escura, é hipotética e sem prova experimental.

Vascularização cutânea - Os estudos de Guy e Col realizados com laser Doppler, mostram a reação in vivo quando da aplicação de um vasodilatador como o nicotinato de metila: com o mesmo estímulo, a reação é a mesma em indivíduos negros e brancos. A resposta ao estímulo significa, de certa forma, que ocorre penetração do produto através da epiderme e efeito farmacológico ( vasodilatação ): estes dois efeitos foram idênticos nas duas raças estudadas. Por metodologia semelhante ( laser Doppler ), Berardesca & Maibach compararam a vasoconstrição cutânea provocada por dermocorticosteróide na pele negra e branca. A reação hiperêmica, induzida pela oclusão arterial, é superponível nos dois tipos de pele na etapa inicial ( basal ). Esta reação é reduzida no negro pela aplicação do propionato de clobetasol enquanto que este mesmo estímulo vasoconstritor não tem efeito significativo na pele branca.

As pesquisas in vitro feitas por Wilson e col sobre a perda insensível de água PIA aumenta de maneira idêntica com a temperatura nos dois tipos de pele: a PIA é significativamente mais elevada na pele negra ( neste teste os fenômenos de sudoração não interferem).

Absorção Cutânea - Estudos realizados com diacetato de diflorasona ( in vivo ), acetato de fluocinolona ( in vitro ), clindamicina ( aplicação tópica ) e com dipiritiona ( antimicrobiano ), sugerem que a pele branca é mais permeável a certos compostos químicos do que a pele negra. Duas hipóteses podem ser formuladas para explicar este fato: a diferença metabólica na absorção do produto ( entre os dois tipos de grupos ) e a diferença de substantividade ( capacidade de fixação na superfície da epiderme ou no estrato córneo ) do produto sobre a pele clara e a pigmentada.

A função barreira da pele baseia-se, antes de mais nada, nas propriedades da camada córnea: é lógico portanto, que o estrato córneo mais compacto confira á pele negra, permeabilidade menor. Porém, a realidade é sem dúvida mais complexa. Pode-se concluir portanto, que a permeabilidade da pele negra é ligeiramente inferior áquela da pele branca para certas moléculas.

Derme

A pele negra tem uma camada dérmica mais espessa e compacta. As fibras de colágeno são mais densas e com disposição paralela. Há mais fragmentos fibrosos entre as fibras e entre os vasos. A quantidade de proteinagliconos é maior.

Vasos superficiais e sub-epidérmicos são mais numerosos na pele negra. A derme papilar tem mais fibroblastos e macrófagos. Os fibroblastos são hipertrofiados e com grande extensão da retícula endotelial. Há menor quantidade de fibras elásticas na pele negra, mas sua disposição é diferente.

 

 

 

 

 

 

voltar

2004 © - Dermatologia - Dra. Denise Steiner - Dermatologista - Todos os direitos reservados
2004 © - Dermatologia - Dra. Denise Steiner - Dermatologista - Todos os direitos reservados