Segredos para a sua dieta dar certo!
Dr.
Rogério Silicani Ribeiro
Muitos fazem dieta, mas poucos perdem peso.
Porque as dietas não funcionam e quais os segredos para a sua
dieta dar certo!
Dieta é o assunto mais
freqüente nos consultórios hoje. Depois do extenso debate
sobre as dietas South Beach, dieta Atkins, dieta do tipo
sangüíneo a dieta voltou ao centro das atenções após a
divulgação de um estudo sobre a falta de eficácia da dieta na
prevenção do câncer. Afinal, fazer dieta funciona?
Fazer dieta é melhorar os
hábitos alimentares para evitar doenças específicas
(obesidade, doença cardiovascular ou câncer). A adoção de uma
dieta deve ser baseada em objetivos claros que vão determinar
os alimentos a serem consumidos e o tempo necessário para
atingir o objetivo da dieta. Se um portador de diabetes faz
uma dieta pobre em carboidratos para controlar a glicemia, em
um dia ele pode notar melhora das dosagens de glicose no
sangue. Se um adulto faz uma dieta pobre em gordura para
reduzir o colesterol, ele provavelmente passará alguns dias
fazendo dieta a fim de melhorar o seu colesterol.
A principal razão pela qual
alguém faz uma dieta é o peso. Para perder peso a dieta deve
conter alimentos cujo total de calorias seja inferior à
energia gasta no mesmo período. Em média consumimos cerca de
2000 calorias ao dia. Se uma pessoa faz uma dieta de 1600
calorias, mas gasta 1480 calorias com um dia de pouca
atividade física e muito escritório, apesar de fazer uma
dieta, ao final do mês terá acumulado cerca de 500g, em um ano
6 quilos. E a diferença de calorias entre consumo e gasto
energético equivale apenas a um bombom de cereja ou uma xícara
de leite!
Curiosamente, pessoas mais
obesas (pesando mais quilos) tendem a ter uma perda de peso
com dieta maior que as mais magras. Isto ocorre porque para
qualquer atividade (como por exemplo, tomar um banho) este
indivíduo carregará alguns quilos a mais se deslocando, logo,
seu gasto energético é maior, portanto a diferença entre o
consumo de calorias na dieta e gasto nas atividades será maior
em relação ao mais magro. Para cada 10 quilos que engordamos o
gasto energético aumenta entre 100 e 150 calorias.
Infelizmente existem vários fatores para que uma
dieta não funcione: a adoção de medidas radicais, a falta de
atividade física, a desinformação, o adoção de dietas que não
são adequadas ao paladar individual de cada pessoa.
A dieta é, muitas vezes,
pensada como uma mudança radical no hábito alimentar que
levará a um resultado proporcional ao sacrifício realizado
durante uma dieta. A adoção de restrições radicais na dieta
impossibilita sua manutenção por tempo prolongado.
Restringir o consumo de
calorias durante a dieta desencadeia mecanismos fisiológicos
de sobrevivência que reduzem o gasto energético corporal. Caso
contrário, a falta de alimento nos levaria a morte em poucos
dias. Enquanto reduzimos as calorias fazendo dieta, o corpo
reage reduzindo o gasto energético, o que dificulta a perda de
peso. Para tornar uma dieta mais eficaz é necessário aumentar
o gasto energético com atividade física.
Pessoas sedentárias
apresentam mais dificuldade em perder peso com dieta,
comparadas às mais ativas. O gasto de energia, fator
determinante na perda de peso, varia de acordo com a proporção
de massa muscular em relação à gordura. Quanto mais massa
muscular, maior o gasto energético e mais fácil é a perda de
peso na dieta. Indivíduos sedentários têm menor quantidade de
massa muscular, menor gasto energético e mais dificuldade em
perder peso após uma dieta. Além disso, durante o
envelhecimento ocorre perda de massa muscular e ganho de
gordura o que torna cada vez menor o gasto energético de nosso
corpo.
Outro problema comum são
crenças populares de caráter pseudocientífico (acreditar que o
tipo sanguíneo influencia o metabolismo energético, que o
vilão das calorias é um grupo alimentar como proteínas ou
carboidratos ou que o segredo está em descobrir uma solução
mágica no reino vegetal como a porangaba).
A dieta é uma oportunidade
de reeducação do estilo de vida. É o momento crítico onde
alguém, que sempre teve hábitos alimentares e de atividade
física prejudiciais à qualidade de vida, opta por tentar
modificar estes hábitos. Busca-se o equilíbrio do peso, o
equilíbrio do gasto e consumo energético. A dieta deve conter
todos os grupos alimentares de forma equilibrada. A opção por
uma dieta inadequada, a desinformação que as dietas da moda e
as crenças populares causam pode arruinar este momento único e
especial levando a uma descrença da possibilidade de melhora e
uma sensação de fracasso.
A necessidade de dieta deve
ser avaliada por um médico a fim de traçar objetivos claros a
serem alcançados (perda de peso, melhora de glicemia,
colesterol, redução de lesões articulares), avaliar e tratar
distúrbios emocionais que possam interferir com a alimentação
e orientar mudanças de estilo de vida para aumentar o gasto
energético, bem como avaliar o risco cardiovascular da prática
de atividade física.
O acompanhamento por
nutricionista permite elaborar uma dieta que atenda aos
objetivos do paciente, respeitando os hábitos individuais de
cada uma e adequando a alimentação ao paladar de quem faz a
dieta. O atendimento multiprofissional (médico, nutricionista
e psicóloga) aumenta a chance de sucesso da dieta e estimula a
manutenção dos bons hábitos adquiridos.
Então,
quais são as estratégias vencedoras de uma dieta? O roteiro
básico da dieta é:
-
Descubra com o seu médico qual a sua necessidade energética
basal (quantidade de calorias necessárias para sua
sobrevivência). Uma dieta com menos calorias do que isso não
permitirá que você sobreviva, a menos que você abandone a
dieta.
-
Descubra qual é seu objetivo. Muitas pessoas querem melhorar
suas curvas (bumbum, pernas) e buscam dietas restritivas
para perder peso. Algumas só precisam trocar gordura por
músculos (que dão forma ao seu corpo) sem precisar modificar
o peso total ou mesmo a dieta.
-
Balanceie o conteúdo da dieta. O corpo precisa de
carboidratos para queimar energia e proteínas para construir
massa muscular, cortá-los da dieta pode causar um apagão
energético ou definhar sua silhueta.
-
Mova-se durante a dieta. O gasto energético pode ser
aumentado levando o cachorro passear, subindo escadas ou
andando na empresa. A dieta sozinha não faz milagres
-
Fazer dieta não é comer mal. Das marcas famosas aos
restaurantes da moda, todos hoje buscam reduzir calorias. A
ajuda de um nutricionista permite uma dieta rica em sabores
e temperos e pobre em calorias.
-
Dieta é organização do tempo, organize-se. Reserve os
horários das refeições com a mesma prioridade dada ao
trabalho e ao lazer. Evite atrasar ou deixar de fazer uma
refeição determinada na sua dieta.
- Não
se deixe levar por soluções mágicas como fórmulas e
anfetaminas, os efeitos colaterais e o ganho de peso após a
suspensão da medicação tornam você pior após o tratamento.
-
Evite dietas que todos estão fazendo. A população de todo o
planeta está cada vez mais obesa, logo é provável que o
senso comum sobre dieta não é a melhor dieta para você.
Procure um médico ou nutricionista e planeje a sua própria
dieta. Personalize sua dieta.
Dr. Rogério
Silicani Ribeiro - Endocrinologia
Especialista em Endocrinologia pela
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Mestre em Fisiologia do Exercício pela Escola Paulista
de Medicina (UNIFESP)
Fellowship no Brigham and Women´s Hospital
- Harvard Medical School
Graduação e Residência na Escola Paulista
de Medicina (UNIFESP)
E-mail:
endocrinologia@denisesteiner.com.br
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